terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Em defesa dos ateus: mais uma bobagem do Ministério Público

Henrique Faria

Pouco mais de uma semana atrás a mídia deu enfoque a uma suposta transgressão por parte do jornalista e apresentador José Luiz Datena que ao se referir a possíveis causas de determinada situação criminosa, fez duras críticas a determinados bandidos alegando que só poderiam ser ateus para terem cometidos certos crimes que cometeram. O Ministério Público Federal, certamente infestado de promotores que, provavelmente, também não acreditam em Deus, imediatamente ajuizou uma ação civil pública para pedir a retratação do jornalista, exigindo o dobro do tempo em que ele martelou sobre as malvadezas dos ateus para que os pobrezinhos, a minoria das minorias, pudessem ver a sua ideologia respeitada.

A classe atéia se assanhou toda e quem não sabia que existiam associações estruturadas, clubes, sites, enfim, que os ateus formam uma classe organizada, ficou sabendo. Ora... Sentir-se ofendido como minoria excluída passou a ser também dor de uma classe tão insignificante que, na verdade, ateu que é ateu nem dá bola pra torcida.

Ainda que não acreditemos na possibilidade de, pelo menos no último suspiro, o homem que se diz ateu conseguir manter a ideologia – ou... a falta dela – essas pessoas são mesmo uma minoria. E entendemos que o repórter, ao dizer “ateus” quis dizer “pessoas sem Deus”. Isso porque existem ateus que estão cheios de Deus, e crentes que não levam Deus no coração.

Não haveria tanta necessidade de a classe ateia se subverter desse jeito, já que, com certeza, a referência do apresentador não se dirigiu a eles. O que vem acontecendo no mundo inteiro, não só no Brasil, no Rio, ou nas favelas cariocas, é o ateísmo relativista, ou a ditadura do relativismo que não leva mais em conta a presença de Deus e das suas leis na sociedade. Deus é uma realidade social! E nós, que dizemos acreditar nele, fazemos muitas vezes como os ateus que relativizam a sua importância, reduzindo-o a um prisioneiro do sacramento, do sinal, do símbolo. Agimos como se Deus não conseguisse se libertar da hóstia consagrada e tomar conta da nossa vida que não se resume à liturgia dominical, às devoções pífias que não nos transformam e, quando muito, nos lançam nos braços de um Deus ainda crucificado, com o qual somos incapazes de ressuscitar.

Nós que acreditamos em Deus, com todas as evidências da sua presença na história e da sua existência na eternidade – antes e depois dos tempos – não conseguimos entender como uma pessoa não percebe a existência de uma inteligência suprema que criou o material. Nem achamos que os ateus devam acreditar no espiritual, no transcendente. Basta olhar o universo: é matéria. E como matéria foi criado. Não há como a matéria ter surgido do nada por sua própria força. Uma inteligência superior criou a perfeição do universo, mantendo planetas girando em perfeição matemática por milhares de milênios, até onde o nosso entendimento alcança. Basta olhar o ciclo da vida: é material. É impossível que tenha surgido do nada, por sua própria força, um gameta que desse origem à vida animal, seja do homem ou dos irracionais. Uma inteligência superior deve ter criado a perfeição da evolução uterina dos animais que, ao término de um período de amadurecimento, ganham a luz.

A classe dos ateus é minoria, mas é estridente. Eles estão plantados nos postos estratégicos da mídia, da intelectualidade, da cultura, do show-business, a maioria sentindo-se filósofos, donos e tiranos da verdade, menosprezando as pessoas que têm ideologia religiosa, o que eles não têm . O grande problema dessa classe que se diz atéia é que a sua moral também é relativa. Por cultura ou por conveniência.

Acontece que a moral religiosa que eles abominam é determinante no comportamento da sociedade, como um fator agregador da família, do respeito entre os semelhantes, a honestidade, a solidariedade entre as pessoas, a justiça, a paz. A moral religiosa é diferente da moral da lei. Ela nasce da fé. A moral da lei nasce da disciplina. E se a disciplina configurasse a sociedade a uma cultura de estabilidade familiar, respeito entre os semelhantes, honestidade, solidariedade e justiça, os homens não teriam a paz tão ameaçada, aviltada, corrompida. Se a moral da lei fosse eficaz, esses bandidos não circulariam por entre as ruas de nossas cidades e os becos de nossas favelas com tanta desenvoltura, espalhando o terror, a destruição e a morte; nossos presídios não estariam abarrotados e as nossas estatísticas não seriam tão escandalosas no que se refere à criminalidade.

Então... É possível que a referência de José Luiz Datena tenha sido a “pessoas sem Deus”, ou, numa linguagem mais laica, “sem moral religiosa”. Ou você acha que uma pessoa com Deus no coração agride o semelhante, trafica, assalta, mata, estupra, corrompe, sequestra?

A discussão que o Ministério Público Federal levanta ao querer defender a minoria dos ateus não faz o menor sentido a não ser o de estar perdendo tempo e criando factóides para os spots da mídia e deixando de se preocupar com temas muito mais importantes.

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