terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Que Deus abençoe a nova Presidente (e não leve em conta que...)

Henrique Faria

Acho que representa muito pouco para a consciência do cidadão brasileiro, especialmente para os nossos leitores, ficar martelando sempre a mesma coisa, espezinhando a classe política que detém o poder em nosso país. Mas eu não me sentiria tranqüilo sem comentar sobre o estelionato eleitoral que elegeu a primeira mulher presidente do Brasil.
Fazendo pose de santa, dias antes das eleições do segundo turno, Dilma Rousseff foi ao Santuário Nacional de Aparecida, onde não conseguiu representar o que, para ela, era um mera encenação teatral e que, para nós, chamamos de liturgia. Dizendo-se devota de Nossa Senhora Aparecida – acho que aqui no Brasil, porque se fosse em Portugal seria Nossa Senhora de Fátima que, para ela são duas “santas” distintas – bem... dizendo-se devota de Nossa Senhora Aparecida, afirmou nunca ter ido à capital mariana do Brasil. Ao lado do então eleito deputado federal, Gabriel Chalita, que frustrou a expectativa e a esperança dos mais de 560 mil paulistas que acreditaram num candidato ainda não inoculado pelo vírus do fisiologismo – Dilma Rousseff não sabia fazer o sinal da cruz e nem o momento de fazê-lo na celebração. Católica desde pequenininha, e tão católica quanto o dom Carmo torce para o Grêmio, em seu primeiro discurso oficial como presidente eleita disse 1.090 palavras sem que em nenhum momento pronunciasse o nome de Deus. Mas nem para dizer “se deus quiser”, como dizia FHC confessadamente ateu, não se prestou.
Bom... Nós não precisamos necessariamente de um presidente católico. (E, para falar a verdade, existem católicos na política só fazem a gente passar vergonha... ). Ser ateu não é defeito; acho que é ignorância. E Deus gosta dos ignorantes. Se a nova presidente for só ignorante, tudo bem. Vai exigir um esforço maior do Espírito Santo – claro! – mas ele, com certeza iluminará os seus caminhos. O problema é se ela rezar na cartilha fascista do seu partido.
Há alguns “defeitos” que admiro na nova presidente. O principal deles é o ser “sargentona”. Alguns anos atrás, num artigo singelo escrito para o “Coração de Estudante” (jornal dirigido aos adolescentes do segundo grau, na década de 1980), em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, minha filha Aline, então com catorze anos, concluía assim: “... e se o Brasil ainda não deu certo, é porque ainda não foi governado por uma mulher.” Sábias palavras. E eu assino embaixo. Pois eu vibraria vendo a “sargentona” Dilma Rousseff dando um murro na mesa e dizendo para os escroques petistas: “Chega de brincadeira! Aqui quem manda sou eu!”. Eu juro que vou me arrepender por não ter votado nela, da mesma forma que me arrependi por ter votado no Lula em 2002.
É... porque um dia após as eleições, seu criador já vinha dizendo: “Eu gostaria muito que Guido Mantega e Henrique Meirelles fossem mantidos no próximo governo...”. Poucos dias depois, com toda a candura que lhe é peculiar, Lula volta a sugerir: “Paulo Bernardo e Nelson Jobim ainda têm muito a contribuir com o Brasil”, aventando a possibilidade de mais esses dois nomes serem reempossados no ministério da nova presidente.
Particularmente, acho quatro bons nomes e o presidente Lula deve a eles – todos remanescentes da política do governo de FHC – os 82% do seu índice de popularidade. O problema é a carinha do Luiz Inácio, com aquele sorriso cheio de barba. Fascismo puro. Ele, que, hipocritamente cedeu às tentações de um terceiro mandato, quer manter o seu fantasma no poder. Seja na pele da Dilma, do Palocci, do Zé, ou seja na de quem for.
O que todos nós temos que fazer é torcer para que Deus não leve em conta que ela não sabe fazer o Sinal da Cruz, e lhe derrame muitas bênçãos, como a tem abençoado há muito tempo, porque... para um “poste” ser eleito presidente da república, só por Deus...

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