sábado, 22 de janeiro de 2011

ADEUS HOMEM VELHO! FELIZ HOMEM NOVO!

Henrique Faria
Estamos vivendo os últimos momentos de euforia e de esperança que traduzimos em votos de um feliz ano novo pela mudança do nosso calendário, no adeus a um ano velho, mais relegado ao esquecimento, injustamente, pelo que nos trouxe de frustrações e desencantos do que somado à nossa história como um tempo que também foi de esperança e realizações.
Um ano que se inicia não rompe a história do ano velho. Pelo contrário, soma a ele as expectativas de um tempo melhor que vamos construindo dia a dia, começando pela renovação da nossa disposição de fazer os nossos dias melhores. O ano do calendário civil não cinde a nossa história. Vivemos, mais do que um dia após o outro, o dia de hoje, que traz as experiências acumuladas dos dias já vividos. Não ficamos mais velhos porque os calendários foram sendo substituídos a cada 365 dias. Aliás, não ficamos mais velhos. Apenas somamos à nossa história a história dos outros, que nos transmitiram também as suas experiências. Não fazemos a nossa história sozinhos. Tudo o que realizamos tem a participação do outro, do ambiente, do tempo. Essa conjugação é que nos oferece a possibilidade de escolha que vai determinar o nosso rumo, a nossa prosperidade tão decantada nos augúrios de um feliz ano novo; a nossa saúde que depende de fatores ligados ao outro, ao ambiente, ao tempo; a nossa paz que não tem como ser só nossa; a nossa felicidade ou não. A nossa história é a soma de nossas escolhas. Das nossas escolhas, a decorrência de nossas conquistas ou o desencanto de nossas derrotas. Por isso, não envelhecemos porque somamos dias, mas porque acumulamos escolhas.
Aqui vale lembrar que o conceito de envelhecimento, atrelado à idéia de degeneração, não faz parte dos nossos votos de feliz ano novo. Ninguém diz “feliz envelhecimento por mais este ano que passou!”. Muito pelo contrário. Os nossos votos são sempre de saúde, de paz, de harmonia, de amor. Dons que se adquirem e se aprimoram com a experiência das escolhas. Envelhecer é tornar-se uma pessoa melhor. A nossa alma não tem idade. E é ela que vive. Nós somos o nosso espírito. E o espírito não é criança, nem jovem, nem idoso.
Em função das escolhas é que vemos pessoas já chegadas aos 80 ou 90 anos – até mais... – felizes com a vida, minimizando as suas restrições físicas, transpirando bem-estar, beleza que as rugas de um corpo às vezes alquebrado não conseguem empanar. Elas são jovens há mais tempo e sua juventude teima em terminar seus dias com elas.
E é em função das escolhas também que vemos pessoas mal chegadas aos 18 ou 20 anos – até menos... – desencantadas da vida, de uma feiúra que a beleza de um corpo bonito e atraente não consegue disfarçar. Estes são os velhos precoces e a degenerescência insiste em matá-los aos poucos, independente dos dias que acumulam em suas histórias.
A passagem de um ano civil para outro constitui apenas um dia especial para a nossa reflexão sobre as nossas escolhas. Entre o dia 31 de dezembro e o dia 1º de janeiro não existe um movimento mágico de transformação que nos faça mais prósperos nem mais amantes. Todos os dias são momentos de esperança. Acordar de manhã, com o sol rompendo nossas janelas, ou uma chuvinha cantando a nossa alvorada, é uma questão de saber entender que com nuvens bonitas de algodão em céu azul de brigadeiro, o sol brilha do mesmo jeito como quando está sobre nuvens carregadas e escuras ou sobre um temporal que desaba sobre a terra. Todos os dias o sol está lá, independente do humor metereológico. E o sol é o sacramento da esperança.
E então? Vamos às nossas escolhas? Para quem soma à sua história algumas escolhas que determinaram a sua desesperança lembramos que o sol, mesmo quando não ilumina, está brilhando. E ele brilha para todos, exatamente como o concebeu o Criador. Brilhando para você que acumula algumas sombras carregadas, frutos nem sempre das suas própria escolhas, mas das escolhas que fizeram por você. Acorde para um dia novo que está nascendo e sinta que Deus o carrega no colo se as suas forças se exaurem e a sua esperança se esvai. Mas não fique aí exaurido e desesperançado. Levante! E olhe que céu azul e que sol bonito vem renovar a sua vida!
E você, para quem as escolhas têm um saldo positivo que lhe permitem a prosperidade, a saúde, a harmonia, a felicidade e o amor, busque ser luz não para brilhar, mas para iluminar. E faça das suas escolhas as escolhas do outro também, lembrando que ninguém faz a sua história sozinho e que há muita gente que precisa da sua luz num dia de nuvens escuras e temporal.
Felizes escolhas pra você! Adeus homem velho! Feliz homem novo!

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