sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Desrespeito Público e Social

Henrique Faria

A notícia de uma senhora que foi atropelada por um motoqueiro no centro de Taubaté, enquanto atravessava a faixa de pedestre com o sinal favorável a ela, apesar de ter pesado enormemente sobre a sua família, causado muita dor entre filhos, netos, parentes e amigos pelo seu desfecho fatal, infelizmente é mais um dos fatos corriqueiros que acontecem todos os dias – ainda que possam nem sempre redundar em morte – em nosso trânsito.
Sem que queiramos criticar a quase maioria dos motociclistas que usam de seus veículos para o desempenho de suas profissões, não há como nos furtar do comentário de que há poucos profissionais dessa área com responsabilidade no trânsito, que não desafiem o perigo para si, para os pedestres e para os outros motoristas. Mototaxistas e motoentregadores, são em sua grande maioria abusados, atentando contra as suas vidas e as vidas dos outros. Em nome da pressa fazem barbaridades.
Mas não é exatamente sobre eles que vamos falar. Vamos generalizar os nossos comentários para a falta de respeito que animaliza as pessoas, que às vezes provocam retaliações com violência, tornando as pessoas irracionais, às vezes, em suas reações. E desta vez falamos do respeito público, social, deixando as inúmeras formas de desrespeito pessoal para uma outra ocasião. Há todo tipo de falta de respeito público. Desde o atirar de um chiclete mascado na calçada para que outro pise sobre ele, até a satisfação de necessidades fisiológicas de maior ou de menor intensidade em áreas públicas e abertas, quando não em frente a residências ou estabelecimentos comerciais. A falta de respeito público se manifesta também pelo ciclista que, tendo a largura toda do leito carroçável de uma avenida, circula desafiador pelas calçadas, às vezes obrigando o pedestre a se desviar para que ele passe soberano. O que não dizer, então, da omissão do poder público que emite o “habite-se” a residências que constroem rampas nas calçadas para a entrada do seu veículo, quando qualquer desnível deveria ser construído do portão da sua residência para dentro. Há ruas, em Taubaté – e são muitas – em que o pedestre não pode transitar de tanto desnível entre as calçadas de uma residência e outra. São comuns desníveis de até 50 centímetros entre uma propriedade e outra, que impossibilita o trânsito das pessoas que estão a pé. Isso é falta de respeito público. Quem construiu só pensou em si, e o órgão público que deveria fiscalizar também desrespeita porque não leva o problema em consideração.
Nossas ruas são concebidas para o trânsito de veículos. Não há preocupação com os pedestres. Ou então para os freqüentadores contumazes de alguns bares do centro da cidade, que têm total precedência na ocupação da calçada. Em Taubaté, a prefeitura municipal teve o desplante de reduzir a largura de uma rua – quando que no mundo inteiro a tendência é de alargar as vias públicas – para favorecer um bar bem freqüentado, o que não causou a menor polêmica entre os formadores de opinião da cidade, grande parte deles freqüentadores do referido boteco. Falta de respeito público.
O motorista médio – há honrosas exceções – não respeita o pedestre na faixa de segurança, não tem a menor gentileza para com ele, sente-se dono da rua, o que parece que realmente é, graças à mentalidade moderna que coloca a máquina acima do homem. Sente-se ofendido quando o pedestre, no exercício do seu direito de atravessar na faixa em locais onde não há sinalização luminosa, e acelera seu possante no intuito de assustar aquele que o desafia em seu território. O motociclista vem como um louco e vendo o pedestre iniciando a travessia, mesmo estando a 50 metros de distância, acelera a máquina para colocar o infeliz em polvorosa com medo de um atropelamento. São assassinos em potencial.
Não temos ilusão de que a nossa cultura mude em pouco tempo. Ela só muda se mudar a educação. As pessoas precisam ser educadas, no dia a dia, com o poder público sendo responsável por essa missão. Mas enquanto o motorista e o motociclista não aprendem, é preciso fiscalização. E muita fiscalização. Não só no que diz respeito ao trânsito, mas nos calçadões, nas praças, de dia e de noite, para evitar os abusos perpetrados por essa gente sem educação. Aliás, a falta de educação, chega a ser, em nossa cidade, primitivismo. Procure passar por perto de bares bem freqüentados no centro da cidade, à noite, que você vai ver quanto primitivismo. Gente que pensa estar no mato, usando de paredes de residências, de estabelecimentos comerciais e de igrejas, para satisfazer às necessidades de desafogar suas bexigas, quando não o pior...
Deveria haver uma mentalidade de punição para essas pessoas e de denúncia por parte das outras que se sentirem desrespeitadas, seja no trânsito ou em outras áreas do convívio social. A pessoa humana é,em última instância, a atingida pela falta do respeito público e social.

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