domingo, 20 de março de 2011

Internet: uma bomba em nossa casa

Henrique Faria

O mundo vem dando saltos em progressão geométrica no que tange ao progresso tecnológico. As coisas acontecem muito rápido quanto rápido elas se tornam obsoletas. E entre os grandes fatos do mundo da tecnologia, a Internet surge como, talvez, a mais poderosa arma cultural da história da humanidade.
Em muitos poucos anos, desde que foi lançada – aqui no Brasil, em meados dos anos 90 – ela ganhou tamanha importância que vem mudando o comportamento das pessoas de maneira tão rápida, criando uma nova cultura – a cultura cibernética – que deixa o homem pequenininho diante da aldeia global.
As previsões de grandes cientistas, antropólogos, sociólogos e estudiosos do comportamento humano feitas há pouco menos de trinta anos foram superadas em pelo menos dez vezes mais o tempo em que eles se adiantaram, ou que... achavam que estavam avançando. Previsões para 100 anos, aconteceram em menos de 20. Estamos diante do imponderável, do imprevisível, quando o tempo já adquire ares de eternidade, ou seja, o tempo não existe.
Diante de um quadro como esse, assistimos a fatos há pouco tempo inimagináveis, como por exemplo, o já ocorrido há quase dez anos, o ataque às torres gêmeas de Nova Iorque, fruto da ousadia do homem, que só víamos em filmes de ficção.
Pensar numa avalanche como se viu com a tsumani arrastando tudo, implacável, no Japão, só mesmo em filmes de grandes catástrofes, concebidos pela loucura de um Spielberg, que nem ele mesmo acreditava que pudesse vir acontecer. Cenas de fim de mundo. Não se imaginava, pouco tempo atrás, uma capital como Tóquio se escondendo da radiação nuclear, com toda a sua população ameaçada de morte, promovendo um êxodo urbano sem precedentes.
E, se não conseguimos, na década de 40, saber a verdade dos fatos que se desenrolavam pela Segunda Guerra Mundial, hoje estamos no palco da história. Somos expectadores privilegiados instalados no epicentro dos mais importantes fatos que pipocam por todos os quadrantes do planeta e que nos dão a impressão de que nem serão história, tão rápida a sua evolução. As coisas acontecem sem tempo de assimilação histórica, sem tempo de maturação e aprendizado.
A Internet nos coloca nessa situação. Através dela ditadores são depostos, como o foram Bem Ali, da Tunísia e Mubarak, do Egito, que não resistiram ao tsunami cibernético das redes sociais que mexeram com os brios dos povos daqueles países, colocando-os nas ruas a pedir democracia. Através dela estamos assistindo a grande potência japonesa – um dos países mais ricos do planeta – de joelhos perante a humanidade, tão vulnerável quando os mais atrasados países sulafricanos a mendigarem uns míseros bolinhos de arroz que lhes sobraram para matar a fome. Através dela vemos que no Japão também existe zona pobre, o “Jequitinhonha” de lá. As feridas nipônicas estão expostas ao mundo inteiro, ainda que telefones, rádios e televisão estivessem funcionando de maneira precária, em grande parte do país nem mesmo funcionando.Graças à Internet. E foi graças a ela que brasileiros conseguiram contatos com parentes que tentam a sorte no país do sol nascente.
O que nós temos a ver com isso?
Temos que... Veja bem: lembra-se daquela campanha de desarmamento ocorrida alguns anos atrás, que movimentou milhões de brasileiros a entregarem suas armas domésticas, numa tentativa de mitigar a violência entre os cidadão comuns que não têm vocação para a bandidagem, mas que, diante da facilidade do manuseio de uma arma podem escorregar e dividir uma cela com profissionais do crime?
Pois bem. Hoje estamos muito mais armados. Dentro de nossa casa uma bomba poderosa, que tanto pode abrir espaços para o conhecimento quanto para a nossa involução cultural, a desagregação da família, o incentivo à preguiça escolar, já que, se o adolescente tem uma fantástica ferramenta de pesquisas, tem também os seus trabalhos escolares prontos a dois cliques do mouse.
É evidente que a evolução tecnológica implementada pela Internet tem que ser bem vinda, aplaudida. Mas deve ser vista também como um perigoso passaporte para o delito, que pode começar em casa, e cedo, já pelas crianças de seis ou sete anos que lidam com a blogosfera com muito mais desenvoltura do que os adultos. Os adolescentes, se quiserem, dão um verdadeiro baile nos seus pais, usando a Net para o que bem lhes convir.
Como a tecnologia, o comportamento também dá saltos enormes, às vezes inatingíveis para os mais velhos que pararam no tempo e não procuraram acompanhar mais de perto a evolução da juventude. E a Internet vem contribuindo de maneira determinante no comportamento social. Ela é invasiva, ousada, agressiva, amoral. E o nosso comportamento vai assimilando a sua amoralidade, não só pelo que de ruim ela nos proporciona, mas até pelo que de bom podemos conseguir com ela, porém, sabe-se lá a que custo.
Fica o nosso recado, lembrando ao querido e à querida ouvinte , que se a Internet desfraldou o véu do orgulho japonês ou colocou no chão ídolos como Bem Ali e Mubarak – e vai colocar também Kadafi – ela pode também desfigurar nossa família, se não tomarmos cuidado para que ela nos traga apenas o bem, a cultura, o conhecimento, sem nos deixar fora do tempo e da história com a velocidade com que ela nos devora.

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