sábado, 4 de junho de 2011

Chique é ser litúrgico

Henrique Faria

Já perdeu um pouco a atualidade, mas ainda vale recordar como uma referência para a minha reflexão. Estou falando do casamento do príncipe Willian com Kate Middleton. Talvez não tenha tido o brilho das bodas de Charles e Diana, mais pelo carisma de Lady Di do que pela elegância em si da cerimônia. O casamento do príncipe, acontecido do último dia 29 de abril, foi o que de mais glamoroso aconteceu na nobreza do Reino Unido nos últimos trinta anos.
A cerimônia religiosa me chamou à atenção pela elegante simplicidade traduzida na decoração da nave central da Abadia de Westmisnter e, principalmente no desenrolar da celebração, com a participação rigorosamente litúrgica da congregação anglicana, mantendo uma postura reverente durante as orações, cantando quando era o momento de cantar junto com o coral, quando se pôde ver o superstar Elton John com o libreto na mão participando do coro da assembléia como qualquer simples mortal. Uma cerimônia séria. Litúrgica.
Bem... Você poderia dizer: “Ora, mas era o casamento do príncipe!”. Eu lhe diria que era a celebração de um matrimônio de um casal que se ama – é evidente o afeto que Willian e Kate nos transmitiram – que se reduziram a duas pessoas comuns quando se trata de postar-se diante de Deus para receber a sua bênção. Aquele momento sagrado não faz distinção de classes por posição econômica ou social. A seriedade conduzida pelo presidente da celebração, pelos noivos e pela congregação na Abadia de Westminster foi um exemplo de que, afinal, chique é ser litúrgico.
Diferente das nossas celebrações de casamento, quando se dispõe de uma parafernália distribuída entre a aparelhagem de som, os cantores e a decoração rebuscada de lençóis estendidos apartando o povão da passarela, colunas luminosas em fibra de vidro, arcos floridos à prova de qualquer saliência supracefálica dos noivos, e o pior: uma cantora se estrebuchando em inglês, aos berros que pateticamente tentam imitar Whitney Houston em seu antológico “The Bodyguard”. Convenhamos que é o suprassumo do brega, terrivelmente agravado com a execução de “Bridge over troubled wather”, seja no original ou na versão lacrimosa que os jovens dos anos 70 adotaram por hino de amor desmedido. Teatro puro em que nem Deus, nem os noivos são os personagens centrais.
Se você quer ser chique, é melhor repensar as suas referências.

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