sábado, 4 de junho de 2011

Algo de podre no Reino de São Francisco das Chagas

Henrique Faria

Não sei não... Posso estar enganado... Mas a gente vai pinçando aqui, pinçando ali algumas atitudes, comentários, coisas que vão para as ondas do rádio ou para as lajotas marmorizadas dos presbitérios, ditas em homilias ou nos intermináveis momentos de avisos após a comunhão, que me cheiram que há algo de podre no reino de São Francisco das Chagas... Parece... sei não... Mas para eu colocar isso aqui, saiba o leitor que estou fazendo um esforço enorme para não acreditar, embora tenha fundados motivos para desconfiar. Coisa feia... Uma pena que não possa citar nomes, mas, pelo menos os católicos mais assíduos às celebrações, sabem muito bem separar o joio do trigo.
Já não é mais tão velada uma insurreição que vem sendo orquestrada, ainda em “adagio”, buscando abafar o crescimento de certos movimentos dentro da Igreja, que atraiam grande público, ávido de cura, conforto, libertação. Alguns padres, que falam a língua do povo, têm profunda empatia com os fiéis, carreiam multidões para as suas celebrações justamente porque fazem de suas homilias uma verdadeira teologia de libertação – não necessariamente “da” Libertação – vêm sendo sistematicamente podados em suas celebrações – não pelo bispo, diga-se de passagem – em sua caminhada pastoral, em sua vida pessoal e em sua – pasme! – comunhão eclesial.
Quem conhece nossa Igreja de perto conhece também inúmeros casos de banimentos de sacerdotes que começam a incomodar a mesmice “pastoral” que fala mais do sexo dos anjos do que da realidade que vivemos. Muito pior do que isso é o constrangimento a que esses padres são submetidos, sabe por quê? Por causa da concorrência. E por causa da concorrência outros investem pesado no marketing religioso, explorando a boa fé e a ignorância do povo com celebrações às quais inventam nomes bem apelativos, no melhor estilo pentecostalista dos picaretas da fé.
Os protestantes norte-americanos – não as Igrejas (com “I” maiúsculo) protestantes tradicionais, como a Batista, a Luterana, a Presbiteriana, a Metodista e outras – fizeram escola entre nós. E hoje nós temos aí uma infinidade de seitas “caça-níqueis” explorando o povo sofrido que busca alívio para seus males, pagando, às vezes, um alto preço pela sua ingenuidade. Pior: esse movimento estendeu suas teias para o interior da Igreja Católica.
É por essa mentalidade monetarista implantada pelos marqueteiros da fé que também nós, católicos, assistimos, ainda que em câmera lenta, uma luta entre ministros que deveriam ser mais irmãos. Enquanto a banda podre se embate pelas suas coletas, ofertas, favores e doações – às vezes consideráveis! – a banda boa se cala em nome da unidade do clero. Uma pena...

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