sábado, 4 de junho de 2011

O castigo vem a cavalo

Henrique Faria

O caos que tomou conta da política em Taubaté, sinceramente, não era previsível. Ainda que se soubesse das limitações do prefeito reeleito em 2010, bem como da influência questionável da primeira dama nos negócios administrativos do município, não se esperava chegar a tanto. Não me arrisco a condenar o Peixotinho pelas falcatruas alardeadas pela imprensa, pelos grupos de oposição e pelo Ministério Público por dois motivos basilares: primeiro pela raiz do atual prefeito; ele vem de uma família política tradicional da cidade, impoluta, considerando, principalmente, seu pai, Moacyr de Alvarenga Peixoto, que deixou um legado de honradez não somente político, mas, de cidadania, de família. Custa acreditar que o filho do seo Moacyr, irmão do Moacirzinho – uma das pessoas mais íntegras que conheci na minha vida e do qual tenho o privilégio de desfrutar da amizade –, tivesse coragem de meter os pés pelas mãos no trato com o dinheiro público. O segundo motivo é por não acreditar que ele tenha competência e desenvoltura para criar uma situação de extrema pressão sobre ele sem que, depois de vários processos, idas e vindas à justiça local e aos tribunais pertinentes, consiga safar-se de condenação em última instância, como vem acontecendo. “O homem tem corpo fechado”, dizem alguns daqueles que assistem de maneira isenta ao “imbroglio” em que a cidade se meteu. Eu não acredito em “corpo fechado”. Acredito na justiça, ainda que tenha minhas reservas quanto a alguns de seus operadores.
Mas o fato está aí, cercado de factoides, é verdade. E quem o elegeu, principalmente entre o eleitorado assentado sobre o funcionalismo municipal, induzido pela campanha popularesca que prometia os mais prosaicos favores – como por exemplo, a instalação de barraquinhas de quinquilharias no centro da cidade – percebe, agora, que a procissão da rua do Café, que ainda hoje se alinha em frente à casa do prefeito a mendigar favorecimentos e privilégios, não se justificou frente ao custo-benefício de uma administração estabanada que, na melhor das hipóteses, confirma a limitação do nosso alcaide.
Ele já era limitado por ocasião da eleição. O menos indicado para gerir a cidade entre os três candidatos que se postaram nas primeiras colocações. Agora Inês é morta, meu caro! A ignorância, apesar de não ser defeito, produz também os seus castigos. E quando vejo aqueles bravos professores se esperneando na praça Dom Epaminondas por reajuste salarial a que fazem justiça, sinto dizer-lhes que, infelizmente, o castigo veio a cavalo. Troteando de São Bento até aqui.

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