segunda-feira, 1 de agosto de 2011

SANTO CALOTE

Henrique Faria

Leio n’O Lábaro de julho de 2011, a “prestação de contas” da diocese de Taubaté sobre a coleta da Campanha da Fraternidade. Prestação de contas é uma atitude sempre saudável.
Para o leitor menos avisado, a Coleta da Campanha da Fraternidade é o produto arrecadado nas sacolinhas de todas as missas celebradas no país inteiro em um dos domingos da quaresma. Do total, 60% são destinados à diocese arrecadadora.
As prestações das contas da Igreja, em particular as das dioceses, só não são mais saudáveis por um pequeno detalhe: ainda que haja boa vontade dos nossos bispos em abrir os cofres ao público no momento da entrada de dinheiro, os fiéis não conseguem colocar a cabeça lá dentro e não têm o mesmo acesso no momento em que o dinheiro sai. No meu tempo, prestação de contas era isto: receita menos despesa (ou entrada menos saída) = saldo. Acho isto elementar.
Vamos continuar com a Coleta da Campanha da Fraternidade. Retidos os 60% da arrecadação na diocese arrecadadora, outros 30% devem ser remetidos para a CNBB, órgão centralizador (mas não administrativo) da Igreja Católica no Brasil. Outros 10% vão para a mesma CNBB em suas instâncias regionais (grupos de estados). Folheio o Texto-Base da Campanha da Fraternidade de 2011 e me surpreendo... Ah! Você não sabe o que é o Texto-Base? É um livro que traz todo o conteúdo da Campanha, em todos os seus aspectos: históricos, teológicos, pastorais, administrativos, tudo muito bem feito, que serve de orientação para todas as dioceses do Brasil para o desenvolvimento da Campanha. Bem... Vamos voltar ao Texto-Base que folheei. Me surpreendo (desculpe a colocação do pronome, mas a orientadora do novo Lábaro – agora com a “cara da diocese de Taubaté” – diz que pode...). Me surpreendo com algumas folhas finais que trazem a “prestação de contas” daqueles 30% que são enviados pelas dioceses à CNBB (só entrada, lógico) e vejo que várias dioceses há muitos anos não remetem à Conferência Nacional dos Bispos o quinhão que lhe cabe. Ou seja, se você pensa que é só você que dá seus chapéus nos cartões de crédito de vez em quando, há muitos batinados que constituem um verdadeiro batalhão de caloteiros, ou melhor, em se tratando de bispos, uma falange de pagadores nem tão anjos assim. Veja se a sua diocese está no rol do SPC da CNBB.
Isto me fez lembrar de uma história que ouvi contar, de um certo monsenhor Jacó, quando um rabino lhe perguntou:
- Caríssimo monsenhor, qual é o destino que o senhor dá ao dízimo?
Ele respondeu:
- Bem... Uma parte é minha por direito. A outra é de Deus. Eu coloco todo o dinheiro numa peneira, jogo tudo para o alto, e o que Deus não pegar... É meu!

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