sábado, 29 de outubro de 2011

CUMPLICIDADE, O NOVO NOME DA GOVERNABILIDADE

Henrique Faria

Recorro ao jornalista José Nêumanne, editorialista de O Estado de S. Paulo, para titular estas considerações, pinçando de um dos seus textos o que achei extremamente pertinente para definir a calmaria com que transita um governo há nove anos chafurdado na lama da corrupção. Só isso – cumplicidade – explica, mesmo, como pode um barco desgovernado deslizar como em mar de calmaria, com o povo oferecendo aos seus comandantes recordes de aprovação e popularidade. Ainda que a oposição dê seus berros de vez em quando, trata-se de jogo de cena, pois entre os partidos que não levaram as três últimas eleições presidenciais há muito barbudo enrustido, levando o “seu” por fora para dar suporte à farsa que constitui a governabilidade do Brasil.
O quase analfabeto Luiz Inácio é a prova viva e insofismável de que não é na intelectualidade, necessariamente, que a inteligência transita com mais desenvoltura. Intuitivo, joga com a ignorância popular; oportunista, não perde o cavalo selado. Não deixa para amanhã, nem para os outros o que pode fazer hoje e por si próprio, acreditando que está acima do bem e do mal. É violento nas suas decisões e, como um trator, passa impávido sobre amigos e inimigos. Amigos, se os têm, não os têm na política. Inimigos, sazonais. Quem o viu execrar, em outros tempos, Sarney, Renan, Collor e Quércia (Deus o tenha!), o vê hoje de braços dados, como que com três soldados que o protegem de governistas e oposição. Dos amigos a proteção tem prazo de validade, mas como qualquer mercadinho chumbrega de periferia, troca o selo sem o menor constrangimento, como fez com Palocci, guindado ao segundo cargo do governo Dilma, depois de defenestrado do seu próprio staff por corrupção. Erigiu um arco de apoio para o governo que exerceu e o que agora patrocina, onde, angelicamente, convivem deuses e demônios, como os seus aliados do PCdoB, PDT, PMDB, PP, PR, e outras agremiações que loteiam a Esplanada dos Ministérios.
Não chamem isso de coalizão. Pela profusão de bandidos, chamem de quadrilha, mas se quiserem ser, no mínimo, politicamente corretos, chamem essa corja de cúmplices; afinal, nem todos são bandidos operantes, alguns são meros copartícipes da bandalheira, o que não lhes exclui a tarja da cumplicidade.
As negociatas entre os partidos e a presidente (Presidenta, como ela prefere) saíram da clandestinidade e os seus lacaios não sentem o menor constrangimento em público, desde negociar um emprego de R$ 800 reais mensais a um cabo eleitoral no sertão das Alagoas até apadrinhar um empresário da construção civil numa licitação com bolas cantadas para rasgar uma estrada onde o judas-perdeu-a-bota.
Se você quer saber o lado perverso do que mantém a estabilidade política do nosso governo, está aí: a cultura da cumplicidade, que constitui, hoje, o novo nome da governabilidade.
Você acha isso saudável? Isso não é democracia, mas a ditadura do conchavismo (Nada a ver com o pretenso ditador da Venezuela...)

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