sábado, 29 de outubro de 2011

RODSON LIMA E A HIPOCRISIA NA TERRA DE JECA TATU

Henrique Faria

A crueldade com que a população investiu contra o vereador Rodson Lima, de Taubaté-SP, por ter feito comentários politicamente incorretos em um dos sites de relacionamentos, não foi condizente com a gravidade da sua falha, execrando o infeliz de maneira desproporcional.
Lima é, antes de tudo, um puro, inda que circule por entre as impurezas da política, que deterioram qualquer espírito do bem, por mais que se blinde pela correção e pela honestidade de intenções.
Antes de mais nada, vamos rever as suas considerações, provavelmente sentado em uma das preguiçosas de um hotel de Maceió, à beira da piscina. Laptop no colo, Rodson disparou para os amigos do Face que desfrutava uma vida de príncipe, sob o céu azul das Alagoas, dizendo que o povo lhe proporciona essa mordomia há quinze anos, pois o elegeu à vereança por quatro mandatos seguidos.
É mentira? Quem fala a verdade não merece castigo.
Eu não sei do passado parlamentar do nosso Rodson Lima. Eu sei do seu antepassado, ou seja, do tempo em que ele era um simples vidraceiro e depois de ver tanto pouco caso do poder público, especialmente na área da saúde, comprou por sua conta uma ambulância com a qual servia as pessoas do seu bairro para o deslocamento de casa para os pronto-socorros e hospitais.
Tudo bem que a ambulância ostentava o seu nome. Mas o certo é que ele fazia. Ele teve sensibilidade para tomar uma atitude, coisa que nem mesmo as pessoas que têm obrigação disso não tomam. Isso muito tempo antes de ser vereador. (Hoje ele mantém esse serviço de ambulância e seu celular à disposição da população por vinte e quatro horas, com ligações “a cobrar”. E afirma para quem quiser ouvir: “É o dinheiro do povo que paga esse serviço”.)
E daí que as suas intenções eram políticas? Vamos deixar a hipocrisia de lado e reconhecer que a maioria de nós gostaria de estar na Câmara de Vereadores, usufruindo das benesses que são prerrogativas legais do cargo de vereança. Se ele estava hospedado num bom hotel da capital alagoana para um desses encontros faustosos em que puros e impuros se jogam nas mesmas águas azuis de uma piscina de frente para o mar, sorte dele. Aliás, não é bem “sorte”. Ele trabalhou para isso. E ele, talvez, meio constrangido diante da própria consciência, ingenuamente falou para o mundo: é o povo que me paga essa mordomia! Como que quisesse dizer: “Que coisa, não! E pensar que é o povo que me paga essa mordomia..."
Não acho que tenha sido deboche. Mas foi uma declaração infeliz que levou para todo o Brasil, através dos maiores veículos de comunicação, mais uma vez, a imagem de uma cidade que não consegue se livrar do estigma do Jeca Tatu.
Eu seria muito presunçoso para dizer que ele está perdoado. Mas que não seja por isso que ele perca o eleitorado que tem.
O resto é hipocrisia e inveja.

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