sábado, 24 de março de 2012

FACE: A SUPERFICIALIDADE A SERVIÇO DA DESEDUCAÇÃO

Henrique Faria

O que pode parecer um inocente entretenimento entre amigos pode deflagrar uma enorme confusão na vida de qualquer pessoa. Se até algum tempo atrás os educadores faziam apelos para que crianças e adolescentes saíssem da frente do televisor, o apelo hoje é outro: saiam da frente do computador! Crianças com sete ou oito anos já lidam com a maquininha com tremenda familiaridade enquanto seus irmãozinhos mais velhos, atravessando a adolescência, vão se tornando viciados em navegar pela web, deixando seus estudos de lado, fazendo seus trabalhos escolares – agora diretamente na internet para serem enviados por e-mail ao professor – sempre com uma janelinha aberta nos sites de redes sociais, focados pela própria webcam que passa sua imagem ao seu interlocutor ou à sua interlocutora mesmo que seja a poucos quarteirões da sua casa.
Em muitas famílias – provavelmente na maioria delas em que pai e mãe trabalham fora –, os pais não sabem disciplinar o uso da internet, não criptografam o uso do computador, nem o bloqueiam para uso indevido e pernicioso pelos seus filhos, deixando-os livres para o acesso a sites interativos, especialmente os de jogos, e o pior: sites pornográficos que contêm imagens e situações que nem eles – os pais – imaginavam que iriam ver algum dia. Mal sabem que seus filhos, que estão décadas à sua frente no manejo da internet, estão sujeitos a usarem mal seus computadores, prejudicando seus estudos e sua formação. Se não é a visita a esses endereços degradantes, é aquela camerazinha sobre o computador, que eles – os pais – nem imaginam as cenas que podem transmitir, para o planeta inteiro, de sua filha ou seu filho adolescente. Não chega a ser novidade nos intervalos de aula de nossos colégios a fofoca correndo solta sobre o bate-papo pouco recatado, com imagens de intimidade entre jovens e adolescentes internautas, vazadas para a web e captada, por descuido dos distraídos, por colegas que os conhecem e para os quais tiveram a sua privacidade violada.
O que parece ser mais ingênuo e lúdico, a rede Facebook esconde um perigo que extrapola toda a compreensão mesmo dos mais avisados: é a exposição sem meias medidas. Hoje a rede tomou conta de pessoas de todas as idades, que perdem, literalmente, seu tempo em superficialidades que não levam a absolutamente nada.
O pior: a rede guarda informações de seus usuários, não somente do seu perfil ou do que está em suas páginas, mas de tudo que o usuário acessa na net, de tudo que é feito fora do endereço, mesmo depois do logout. Segundo a empresa Abine, especializada em privacidade on line, os botões “curtir” e “compartilhar” estão espalhados em cerca de 900 mil sites da internet, fazendo a ligação do Facebook com outros endereços eletrônicos. Para se ter uma idéia, uma organização chamada Europe x Facebook, criada por três estudantes de direito indignados com desrespeito à privacidade perpetrado pela rede social, baseados no direito que se tem de cada cidadão ter acesso às informações sobre sua própria pessoa, conseguiram obter da empresa responsável pelo Facebook 880 páginas de informações sobre um deles, depositadas no site desde a criação do seu perfil na rede, em 2007.
Bem... Estas são algumas das informações que nós – por mais que achemos ter familiaridade com a internet, somos leigos no assunto – temos à disposição em uma infinidade de sites espalhados pela web. No entanto, há outros problemas, intimamente ligados ao uso das redes sociais, que dispensam o nosso conhecimento tecnológico para constatarmos na simplicidade da convivência com nossos filhos. É evidente que seus estudos são prejudicados. No teclado do computador seus trabalhos de escola se misturam a longos bate-papos, por mais inocentes que sejam, que os dispersam e lhes tiram o foco dos estudos. O uso exagerado da internet deu vazão às “colas”, ao plágio, à lei do mínimo esforço, já que muitos estudantes têm ao seu alcance o texto que quiserem através da net. A leitura criteriosa de livros, de grandes romances da literatura nacional e universal está em desuso, prejudicando o senso crítico de nossos jovens, reduzindo-os a meros apertadores de botões. O acesso à pornografia deforma sua personalidade. A reclusão ao seu quarto, ligado na net, reduz sua capacidade de sociabilização, levando-o a estados de ansiedade, angústia, depressão. O diálogo entre pais e filhos fica prejudicado.
Por tudo isso e por muito mais que isso, os pais devem estar atentos. E não atribuirem à maquina a tarefa de educar os seus filhos. Ou melhor: de deseducá-los.

Um comentário:

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