sábado, 17 de março de 2012

TURISMO-CHACOTA NA TERRA DO BAT-JECA

Henrique Faria

Na cidade do Jeca Tatu, da Velhinha de Taubaté, da Neide Taubaté, da Grávida dos quadrigêmeos de Taubaté; do vereador que, confortavelmente instalado em um hotel três estrelas de Maceió (ele pensava que era cinco), anunciou pelo Facebook que estava vivendo uma vida de príncipe, bancada com o dinheiro do povo que o elegeu (foi comentada em vários países do mundo inteiro); da Primeira Ladra de Taubaté, do político que prometeu transferir o leito da antiga Estrada de Ferro Central do Brasil para o pé da serra (agora... nas eleições passadas...); do candidato que na década de 60 prometia canalizar a sopa do Cristo Redentor até o Mercado Municipal através de um sopoduto (naquele tempo os moradores de rua subiam a colina do Cristo para tomar a sua sopa); do prefeito que mandou esvaziar o piscinão da estação de tratamento de água da cidade para que um dos políticos presentes pudesse recuperar a sua dentadura que, durante o churrasco de inauguração, havia caído no fundo das águas, deixando a cidade inteira sem abastecimento (essa notícia circulou, inclusive em jornais da Europa, quando ainda não havia Internet...)... Bem... Não vou ficar aqui citando as nossas vergonhas... Mas, como ia dizendo, um Batman a mais não faz a menor diferença!
O que me intriga é que a Polícia Militar, que não consegue atender a demanda contra o crime, vem agora pedir ajuda ao Batman para um trabalho de prevenção. No meu tempo quem fazia isso eram os pais, os professores, os catequistas... E se precisavam de algum personagem que servisse de exemplo às crianças, apresentavam o menino Jesus, o italianinho Domingos Sávio e seu professor João Bosco; um romaninho chamado Tarcísio; uma adolescente chamada Maria Goretti, que morreu sem deixar que sua pureza fosse violada; enfim, uma turminha da minha idade que dava exemplos de coragem, de justiça, de integridade moral. Adolescente, fui conhecendo outros, como Ghandi; mais tarde um pouco me falavam de Luther King... Hoje eu conheço a história de Madre Teresa de Calcutá, de Dona Zilda Arns e acredito até nas boas intenções de uma Angelina Jolie. Mas ninguém me impressiona mais que o Acácio e a Edna, dois exemplos de vida, daqui mesmo, da cidade do Bat-Jeca, vivos, que sustentam uma família de vinte e dois filhos adotados. Eu falei em filhos adotados. Não falei em creche. Pergunte a eles se é preciso que o Bat-Jeca vá até a casa deles ensinar para as crianças e adolescentes os mais elementares princípios da boa educação.
Era só o que faltava! Importar dos americanos um personagem de quadrinhos para educar as nossas crianças...
Não me digam que eu não entendi. Entendi, sim, e muito bem essa jogada. E sou obrigado a reconhecer que o militar aposentado, que reforça seus vencimentos aparecendo fantasiado em festinhas infantis, é um sujeito muito inteligente (até acredito nas suas boas intenções...). Hoje em vários países do mundo inteiro se diz que é só o Batman que pode acabar com a violência no Brasil. Feio para a Polícia e feio para a cidade.
E com isso, Taubaté, que hoje, graças a incompetência dos seus políticos, é uma cidade sem identidade, reforça seus atrativos que a colocam no roteiro do turismo chacota, e pode ser ridicularizada no mundo inteiro.

2 comentários:

  1. Henrique, não sei se dou uma boa risada ou se choro após a leitura desse excelente texto. Muitas das "raridades" citadas eu não conhecia. Essa do Batman é a solução que faltava para combater a violência. Filosofaram com um monte de teorias, não fizeram nada e agora colocam o Bat-Jeca para as grandes soluções. Enfim...
    Grande abraço.
    Manoel - Computador.

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