segunda-feira, 13 de outubro de 2014

QUEM É ESSE DEUS QUE PERMITE ESSA MALDADE?


Henrique Faria

Eu vejo tanta gente questionando a existência de Deus ou, se Ele existe, a sua providência e o seu amparo, a sua presença na história como a fonte da felicidade, da prosperidade, da graça. A fome, a violência, a injustiça, a opressão, o analfabetismo, a miséria são fenômenos que conspiram contra a fé. Como pode um Deus, que temos por Pai, permitir o mal que acreditamos ser patrimônio do diabo?
Como racional que sou, pouco levado a crer no que a minha razão não consegue processar, pode parecer um paradoxo eu acreditar em Deus, principalmente diante dos desvios a que a humanidade foi submetida em relação à felicidade paradisíaca, explicados pela religião como ônus que o homem paga pela sua desobediência à disciplina imposta pelo Criador.
Convenhamos que não é justo a humanidade inteira pagar por uma mordida no fruto proibido e, o pior, per omnia saecula saeculorum. Se Deus é pai, segundo os padrões humanos como a religião o pinta, não é, com certeza, um pai justo e sensível. É muita miséria, muita fome, muita guerra, muitos inocentes sacrificados em nome de nada e por maldade dos seus próximos. E onde é que Deus fica nessa parada?
Se eu reconhecesse esse Deus super-pai, desenhado à imagem das criaturas, evidentemente que eu o teria como um mito, como provavelmente você o tem. A Bíblia diz e as evidências apontam para uma proposição inversa: as criaturas é que são imagem da divindade. Eu digo mais: elas se somam à divindade.
Eu acredito em Deus como um ente físico, que paira sobre a criação que constitui todo o universo. E mais: que nós temos o DNA de Deus. Talvez a ciência ainda venha a ter a coragem de admitir, empiricamente, que Deus existe e que é a sua energia que move tudo, desde a perfeição matemática dos movimentos siderais até o surgimento da vida nas plantas, nos animais, no homem.
Quando eu digo que portamos o DNA de Deus eu repito o que a sabedoria milenar dos nossos ancestrais afirmava sobre a nossa constituição à imagem e semelhança Daquele que nos criou. E quando eu digo que a ciência ainda vai chegar a admitir essa verdade, eu lhe chamo a atenção para a descoberta recente do Bóson de Higgs, o que pode ser a partícula inicial da matéria, também chamada de "a partícula de Deus". Evidentemente que é uma veleidade, em razão do meu absoluto desconhecimento da Física, querer justificar a minha crença com base neste argumento. Mas, o que me chama à atenção, é a busca científica pelo início da matéria. Eu acho que Deus, que para a ciência poderá ter outro nome, ainda vai ser explicado pela razão como o início da matéria.
Assim, eu não acredito que sejamos Deus, mas que componhamos a divindade. Somos a parte de Deus que teve início um dia por concessão Dele, eterno, mas fonte do início de tudo. E no DNA de Deus – eu digo DNA mesmo, o ácido desoxirribonucleico – que nós portamos nós herdamos o que Ele tem de melhor: o amor, a justiça, a sabedoria e a solidariedade. E agregamos a esses dons a fé, a esperança, a prudência, a fortaleza, a temperança e um muito importante que nos permite até nos despojarmos da divindade para rompermos com o equilíbrio da Criação promovendo o que as religiões chamam de pecado, a opressão, a injustiça, a miséria, a fome, a violência, a guerra. Esse dom é a liberdade, que permite ao homem recusar a divindade na sua composição. É o dom pelo qual o Criador se recusa a submeter o homem aos seus desígnios e permitir-lhe ser Deus ou diabo por sua própria opção.
Através da liberdade o Criador delegou ao homem a custódia da Criação. O homem, que traz em sua composição genética dons como o amor, a justiça, a sabedoria e a solidariedade, tem a liberdade de gerir a Criação como lhe apraz, nem sempre com amor, com justiça, com sabedoria, com solidariedade. Quando isso acontece, o desequilíbrio toma conta da Criação. E essa criança aí da foto, que foi criada para dar alegria, torna-se o espectro da tristeza, um monumento à maldade, à covardia, à insensibilidade.
Assim, respondendo à sua pergunta inicial – Quem é esse Deus que permite essa maldade? – eu aponto o meu polegar para o meu peito e o indicador para o seu nariz: Ele sou eu e ele é você. E espalho meus dedos todos para a imensidão dos povos que recusa a própria divindade. Esse Deus está em nós todos, que num determinado momento somos tentados a tomar um caminho que nos separa dos dons divinos que herdamos - geneticamente, insisto! - para nos transformar no diabo(aquele que divide), aquele que promove o mal.

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