quinta-feira, 9 de novembro de 2017

PRETO OU BRANCO, GORDO OU MAGRO, JAPONÊS OU PORTUGUÊS, JOVEM OU SENIL, VÁ BUZINAR ASSIM NA PU...


Henrique Faria

Não vi o vídeo. Estou me baseando apenas no texto publicado pelo portal UOL que, por sua vez, reproduziu texto da Jovem Pan.
Se foram apenas essas quatro palavras ditas por Willian Waack, entendo que a repercussão é desproporcional ao fato. Com certeza, ele não quis ofender a comunidade afrodescendente (já não sei mais qual é o termo juridicamente correto) nem a pessoa envolvida no fato. O jornalista é uma pessoa fina, de educação requintada, formação esmerada, de nível muito acima da média dos milhares de jornalistas que pululam na periferia das grandes redações em busca de espaço. Se ele tivesse identificado a pessoa e esta fosse um daqueles louros vermelhões com 250cms de circunferência abdominal e dissesse “é coisa de gordo comedor de hamburguer”, ninguém teria levantado o punho em protesto. As pessoas obesas sofrem tanto ou mais discriminação e não são defendidas com tanta gana. Agora, vamos e venhamos, se Waack viu a pessoa que buzinou e a identificou como uma pessoa negra, foi ou não foi coisa de preto? Lembre-se que, no Brasil, o próprio IBGE, ao selecionar a população por cor, determina que os afrodescendentes sejam classificados por “preto”.
E mais: ninguém tem a intenção de ofender a santa mãezinha de um filho da puta desses que mete a mão na buzina só pra aporrinhar. Aqui entre nós, buzina, na maioria das vezes, é gesto de falta de educação, de pretensa autoridade, próprio daquele que se sente um “asno volante”. Tira qualquer um do sério.
Há muito de melindre e de oportunismo nessa história de ofensa racial. Aliás, diga-se de passagem, Diego e Robson conseguiram seus minutos de fama. Terezinhaaaaaaaaa! Fon fon!

Para sua ilustração, confira o link http://jovempan.uol.com.br/entretenimento/tv-e-cinema/queriamos-discutir-o-racismo-afirmam-responsaveis-por-vazamento-de-video-de-waack.html

AFINAL, QUANDO UTILIZAR OS TERMOS “PRETO”, “NEGRO” OU “PARDO”?

Há uma discussão com conseqüências às vezes irremediáveis em que o interlocutor pode sofrer severa punição pelo emprego do termo “preto” para identificar uma pessoa de pele escura. Avocando a lei 7.716/89 ou a 12288/10, defensores desavisados dos que se sentem melindrados pelo que alegam ser ofensa racista, não atentam para o próprio IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) que classifica a população brasileira nas opções de cor/raça branca, preta, parda, amarela e indígena.
Branca, amarela e indígena não suscitam dúvidas. Entre a cor parda, preta e negra é que residem as controvérsias.
Quem é o “preto” ? Os pretos eram os nativos da África sub-saariana. Os primeiros pretos chegaram ao Brasil por volta de 1549. A partir daí, o termo passou a designar também os seus descendentes nascidos na América.
E o “negro”? Originalmente, a palavra “negro”, de origem espanhola ou portuguesa, era utilizada para referir-se aos escravos pretos e não somente a eles, mas, também aos índios escravizados – estes também denominados “negros da terra”. Ou seja, se se pode admitir alguma conotação ofensiva a uma dessas duas palavras (preto e negro), esta recairia sobre o termo “negro”.
O pardo, por sua vez, de tom de pele entre o branco e o preto, já existia no Brasil antes do seu descobrimento. O primeiro registro para designar um pardo na história do Brasil está consignado na Carta de Pero Vaz de Caminha, de 1500: ele descreveu os índios como “pardos, um tanto avermelhados, de bons rostos, bons narizes, bem feitos.”
Pardo não é afrodescendente. E não é negro. O pardo tem a sua ascendência na miscigenação dos indígenas com o homem branco – os mestiços caboclos.
Bem. Esta é a posição histórica do IBGE.
Entretanto, em 2003, o governo do PT, de acordo com as orientações do Plano de Governo do Partido dos Trabalhadores (PT) e do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) resolveu pintar os pardos de preto. Dividiu racial e etnicamente o Brasil em negros, brancos e índio, excluindo a mestiçagem da composição étnica brasileira. Os negros somaram-se aos pardos, somando, no Censo de 2010, 50,7% da população brasileira.
Esta posição adotada pelo petismo é uma evidente discriminação contra os verdadeiros pardos.
O IBGE não classifica pardos como negros. E não identifica os negros como pretos. Repito: para efeito de classificação de cor/raça, o IBGE distingue o preto, o branco, o amarelo, o indígena e o pardo.
(Fonte:http://nacaomestica.org/blog4/?p=17752)
Para aprofundar: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv63405.pdf
Ilustração: http://mascarellocabines.com/blog/2012/01/barulho-buzina-som-escapamento.html

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